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29 May
  • Autor: Beraldi
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Fuzis Lewis Machine and Tool (LMT)

A LMT se fez presente novamente no Shot Show 2019. A cada ano que passa seu estande fica maior, seus produtos mais conhecidos e sua qualidade mais apurada. Posso dizer, com base no que tenho observado ao longo dos anos em que acompanho os vários fabricantes de armas, que hoje os fuzis das linhas AR-10 e AR-15 produzidos pela LMT são de uma forma global, ao lado dos Knight Armament Company (KAC), os melhores fuzis de plataforma AR atualmente em produção.
Fuzil LMT CQB MWS calibre 7,62x51mm OTAN com cano de 16 polegadas
 

A LMT começou a ganhar fama no mercado em 2009, após vencer a competição para um novo fuzil para atiradores designados do exército inglês. Competindo contra fabricantes com produtos já estabelecidos no mercado militar e policial, como a Heckler und Koch com seu fuzil HK417, a FN Herstal com o SCAR-H e a Knight Armament Corporation com o M110, a LMT obteve sucesso com uma versão do seu LM308MWS, que acabou sendo adotado pelas forças armadas inglesas com a designação oficial de L129A1, entrando em combate no Afeganistão com excelentes resultados já em abril de 2010.
 

Em 2014 a Nova Zelândia, preocupada com o desempenho insatisfatório de seus fuzis Steyr AUG no Afeganistão, iniciou o processo de seleção de uma nova arma. Após competir com os sete melhores fuzis em calibre 5,56x45mm produzidos no mundo por empresas como Colt, FN Herstal, Heckler und Koch, Beretta, CZ, Sig Sauer e Steyr, o LMT MRP CQB16 com um novo lower ambidestro foi adotado, com a designação MARS-L.
Soldado neozelandês treina o tiro barricado com o novo fuzil LMT MARS-L
 

E recentemente, em dezembro de 2018, após exatamente um ano de testes e competições contra os fuzis da Heckler und Koch e da Sig Sauer, a LMT foi escolhida para fornecer o novo fuzil das forças armadas da Estônia, sendo este uma versão com funcionamento a pistão do LMT MRP CQB16 adotado pela Nova Zelândia.
Soldado estoniano com a versão a pistão do MARS-L
 

A LMT produz um upper receiver monolítico, ou seja, uma peça única de alumínio forjado que combina a caixa de culatra com o guarda-mão. Este possui três versões de interface para modularidade com acessórios: com Picatinny rails (CQB), com uma interface proprietária (LM8) e com o mais moderno sistema usado atualmente, o M-LOK (MLC/MLR). Há modelos de todas essas três versões com a porção do guarda-mão longo ou curto, e em todas elas o conjunto do cano é preso por dois parafusos transversais que garantem um ajuste de zeragem perfeito do cano, permitindo que a arma use canos de comprimentos de 10,5”, 11,5” 14,5”, 16”, 18” ou 20 polegadas de comprimento, bastando para isso soltar os mencionados dois parafusos e trocar o cano. E não é só isso, é possível trocar o sistema de funcionamento de ação direta dos gases (padrão AR) para o sistema de ação indireta dos gases com pistão de recuo curto da mesma maneira: somente com a referida substituição do conjunto de cano e do transportador do ferrolho.
Versão mais moderna do L129A1, com upper MLC de interface M-LOK e lower ambidestro MARS-H
 

Os lower receivers da LMT são considerados, ao lado daqueles produzido pela empresa LWRCI, como os melhores e mais ergonômico atualmente produzidos. Com eles é possível sanar panes de dupla alimentação de orma muito mais rápida e eficaz, sem perder a empunhadura da arma, além de permitirem a recarga emergencial de forma muito mais veloz tanto para atiradores destros como para os canhotos. Eles são os lowers MARS-L (AR-15) e MARS-H (AR-10).
 

A LMT também produz uma coronha telescópica compacta para as versões PDW (Personal Defense Weapon) de seus fuzis, que os torna excelentes para uso a bordo de viaturas e aeronaves, ou outros locais com espaços restritos. Uma excelente arma para policiais, tripulações e tropas de segundo escalão, mantendo uma excelente unidade logística com a arma principal das forças armadas.
Versão civil do fuzil adotado pela Estônia, já com o sistema M-LOK num upper MLC com pistão
 

O conjunto de ferrolho e transportador de ferrolho Enhanced da LMT é também extremamente interessante e diferenciado.  No transportador do ferrolho temos um ângulo de movimentação diferente do retém móvel do ferrolho, que dá mais tempo para a cápsula contrair antes de iniciar a extração; também os eventos de gases estão num ângulo diferente, tanto o de lançamento interno, que direciona o jato de gás diretamente para a parte posterior do ferrolho, tanto os de vazão externa, que os lança pela janela de ejeção num ângulo para a frente, longe do rosto do atirador; e há também recortes que coletam a sujeira e a transportam para fora da ação, permitindo o movimento do mecanismo mesmo em ambientes com alta contaminação.
Fuzil LMT na versão PDW
 

Já o ferrolho propriamente dito é feito de um aço muito mais resistente que o padrão Milspec, com ressaltos de trancamento redesenhados com ângulo mais eficiente para trabalho com munição de alta pressão e com muita sujeira no mecanismo; também o extrator tem um desenho novo na sua parte posterior, com duas molas ao invés de uma, garantindo uma extração mais forte e consistente. Todo o conjunto recebe um acabamento superficial de cromo, mais resistente e de mais fácil limpeza que aquele de padrão militar.
 

Em resumo, o fuzil LMT é o ápice da tecnologia em termos de plataforma AR, considerado o sucessor tecnológico do Colt M-4A1 em sua versão de ação direta dos gases, e a evolução do HK416 em termos de versão com funcionamento a pistão.

Alexandre Beraldi

Policial Federal, Professor e Autor